23.8.26

reblog: "coisas a mais"

post de 2009 que a Ana Rute Cavaco compartilhou. republicando aqui porque vivendo num país onde o que se mais valoriza é o "poder de compra", preciso me lembrar de que coisas não deveriam ocupar tanto meu pensamento. Diferente da Ana Rute Cavaco, não acho que eu poderia ter escrito isso, mas bem que eu gostaria de ter essa sabedoria. Ah! está em português de Portugal.

"Quando eu era miúda raramente iamos almoçar fora. Tinha que ser uma ocasião especial. E como se comia bem em casa. O peixe era fresco, as ervilhas descascadas por nós, o doce de tomate feito pela minha avó, o feijão tinha que ficar de molho durante a noite, as tranças de alhos penduravam-se na despensa e a fruta era a da época, morangos no início do verão, laranjas no inverno e um melão que se guardava, suspenso para não apodrecer, de modo a estar no ponto no dia de Natal. As férias passavam-se cá dentro, durante muito tempo a fazer campismo e, depois, no apartamento da vovó Ana. Nunca fomos ao estrangeiro. Não havia férias na neve nem viagens ao Brasil. A primeira vez que andei de avião foi numa visita de estudo do liceu. Não havia centros comerciais a cada esquina nem lojas de pronto-a-vestir decentes. Mandávamos fazer roupa na costureira por altura dos aniversários e da Páscoa. As camisolas de lã eram tricotadas pelas avós. As blusas eram remendadas nos cotovelos. Cosíamos os buracos das meias. Mandávamos os sapatos ao sapateiro para pôr meias-solas e arranjar os saltos. Recebia roupa nova no Natal e herdava quase tudo da minha irmã. Herdava até os livros da escola que apagava, linha a linha, para depois poder resolver outra vez os exercícios. Não porque houvesse realmente necessidade disto mas porque havia um estilo de vida - uma ética - segundo o qual não devia haver desperdícios e se deveria poupar, reciclar, aproveitar. Gastar até ao fim. Tínhamos uma única televisão com dois canais. Um único telefone fixo. E quando surgiram os computadores lembro-me que durante muito tempo o Aníbal foi o único miúdo da terra a ter uma daquelas maravilhas (as tardes que passámos em casa dele a jogar pacman!). Vivíamos numa casa arrendada. Não tinhamos aspirador central nem música ambiente nem imaginávamos o que seria uma Bimby.

Éramos felizes? Éramos.

E sim, eu gosto do progresso e de ter televisão por cabo, eu já não sei se consigo viver sem telemóvel e não, não acho que antigamente é que era bom, nada disso, que bom que as pessoas agora têm dinheiro para gastar e podem passear e comer hamburgueres quando lhes apetece. Mas a mim parece-me que isto tudo aconteceu muito rapidamente. Sofregamente. Como se fôssemos novos-ricos. Deslumbrados com a possibilidade de poder passar um dia inteiro no Colombo e pagar tudo com cartões de crédito. De repente já não conseguimos passar sem a televisão de plasma xpto e somos [sou] alvo de chacota se ainda usamos a roupa da colecção anterior ou se não usamos as marcas que estão na moda. Desde quando é que se tornou natural comprar malas de 300 euros? Desde quando é que um i-pod é um bem essencial? A nossa vida, a vida da maioria das pessoas, pelo menos, baseia-se em coisas, coisas e mais coisas. Casas e relógios e automóveis. Coisas que se têm, que se compram, que se substituem.

Coisas a mais. E assusta-me pensar no preço que estamos e vamos pagar por isto. Em termos ambientais. Na formação das nossas crianças, habituadas a ter tudo, do bom, do melhor, agora, já. Nas crianças que trabalham na índia e noutros países para que nós possamos viver assim. Num mundo onde as pessoas são aquilo que têm - e quem tem nada é nada?"

- a Gata Christie

22.8.26

Pimenta de cheiro

Agora de manhã me veio a lembrança do aroma da Pimenta de Cheiro que meu avô usava tanto pra temperar as comidas, mais especialmente as carnes de panela que eu tanto gosto. 

Às vezes fico pensando em como construir boas memórias pras minhas filhas que talvez chegue ao exagero. 

Num dia de semana, só eu e meu avô em casa (completamente bagunçada), ele preparando o almoço pra gente sem nenhuma técnica, enquanto assistia os programas policiais com as maiores bizarrices. Comia cada um vendo tv num cômodo diferente. Bem que eu queria que a gente sentasse junto à mesa pra almoçar conversando, que a casa estivesse um pouco menos bagunçada. Mas quando me vem o cheiro e a lembrança na mente, só o que eu lembro é do meu avô indo de um lado pro outro apressado fazendo um almoço delicioso pra gente. É isso me deixa feliz

19.8.26

Miffy

 

Para aplacar dias difíceis e as pequenas dificuldades leves e momentâneas da vida, acho que vestir uma blusa da Miffy e assar um bolo com brigadeiro e confeito colorido é a melhor coisa a se fazer. 

16.8.26

Oh, mr. Sun!

Fazem dias que eu e o Arthur temos tentado melhorar nosso sono, ainda mais agora que a vida com as duas mocinhas se tornou mais exigente. Vez ou outra sofremos do mal de já acordar cansados. Num episódio recente do Diary of a CEO, uma médica explica como isso pode estar ligado a um desequilíbrio de vitamina D (Vitamin D Expert: The Supplement World Is Giving The WRONG Advice! | Dr Stasha Gominak). Vou tentar resumir as partes que achei mais interessantes.

Nosso corpo foi projetado para viver do lado de fora e estarmos expostos ao sol. Mas a partir dos anos 80 - quando foram criados o protetor solar, computadores, ar-condicionado - começamos a ficar muito mais tempo dentro de casa ou dos escritórios. E isso piorou depois do Covid, quando o home office se tornou comum. No vídeo ela explica bem as reações químicas que acontecem quando nos expomos ao sol,  produzimos vitamina D e regulamos nosso sono. Ela ainda explica como os animais que hibernam conseguem fazer isso graças a produção de vitamina D durante o verão. Resumindo muito, viver tanto tempo dentro de casa diminuiu nossa produção de vitamina D e nosso cérebro parecer ter "desaprendido" a dormir. E no vídeo o entrevistador comenta como todas as noites nosso cérebro passa por uma limpeza quando a gente dorme bem. Se não dormimos bem, é como se um monte de "porcaria" fosse acumulando. 

Como alguém que precisa cuidar da família, mas que já nasceu num mundo onde os humanos vivem em "cavernas", fiquei pensando como a gente pode ser mais intencional e sair mais de casa. De acordo com essa médica (que parece uma vovó sábia), tomar suplementos pode atrapalhar mais do que ajudar. A gente precisa sair de casa. Pegar sol (se proteger, claro), nem que seja sentando um pouquinho no alpendre. Precisamos abrir as janelas do carro (essa ideia é minha), dar a boa e velha voltinha no bairro. Ora ora, as senhoras fofoqueiras é que estavam certas. 

Ela ainda explica no final que quando ficamos do lado de fora, mesmo que na sombra, uma reação química entre os raios de sol e nossa pele acontece que faz nossas células funcionarem, rearregando nossas baterias.

Parafraseando a famosa poeta Cidy Lauper, I wanna be the one who walks in the sun

Double Zero

Infelizmente eu esqueci de novo de tirar foto do restaurante pra postar aqui, mas vou escrever assim mesmo porque foi um almoço que merece ser lembrado. Double Zero (uma referência ao tipo de farinha que os italianos usam) é um restaurante italiano que fica "escondido" na parte chic do shopping. Não tem muitas placas e a entrada é uma escadinha escura (carrinhos nem entram) e a decoração é opulenta. Imagine paredes escuras, detalhes dourados, esculturas grandes, mesas de madeira maciça... Um foto iria ser bem melhor. Anyway... 

De entrada a Miriam comeu bolacha Maria. Brincadeira (pero no mucho). A entrada foi uma salada caprese de burrata, tomates, molho pesto e shalotas crocantes. A Miriam amou e a gente também. Nossos amigos comeram calamari de entrada e eu finalmente provei esse prato. Infelizmente não é meu tipo de peixe, achei a textura estranha demais pra um sabor nada marcante.

Eu comi um spaghetti com meatballs que estava bom, mas não era sensacional. Eles nem deram pão pra comer com o molho que ficou no prato. O Arthur comeu tagliatelle à bolognesa que estava bom, tinha até uma super ricota no topo, mas era bom, só isso. Macarronada é tão gostosa quando feita em casa, mas dificilmente eu acho um restaurante que supera a que a gente mesmo prepara.

O preço foi razoável. Quero voltar lá e experimentar uma massa mais interessante e julgar o tiramissu que nem a Rosinha Maio fez no último vlog dela.

A comida não foi extraordinária, mas gostei da experiência de fingir que sou do tipo que almoça em restaurantes chiques casualmente aos domingos. 

15.8.26

Design Notes I

Tô na minha fase de fazer comentários sobre a decoração da casa dos outros. ha ha ha quem sou eu.  Começando pela casa de uma senhora inglesa chamada Emma Burns que o YouTube me recomendou; fiquei curiosa pra saber se o algoritmo sabe bem do que eu gosto.

p.s.: eu poderia ter editado as fotos e recortado as bordas pretas, mas to trabalhando em modo de economia de energia.

1 - Hall de entrada. Achei linda a decoração da cômoda com um vaso bem grande, um quadro com moldura pomposa, espelhinho na parede e um bowl chique. Tudo nessa casa é muito chique, aliás. Também gostei que a escada é azul, o que me mostra que o estilo tradicional não é feito só de cores neutras. Azul também tem sua versão neutra e é lindo! 

2 - Janelas. Mais um móvel com uma decoração linda! O quadro grande com moldura elegante, o abajur e a planta formam uma composição com uma proporção perfeita. Principalmente com o alinhamento perfeito das cortinas! A cadeira do canto cria um canto super confortável pra se estar. E as cestas na parte de baixo do móvel são um lugar bem bonito pra guardar coisas. O único lado negativo dessa decoração é que isso fica na cozinha! Ricos fazem as coisas mais malucas.

3 - Mais um console. Essa mulher parece ser expert em decorar cômodas e consoles, então faz sentido ela ter um em cada canto da casa. Amei demais esse com uma estante de livros! 

4 - Pratinho de tomates. Um prato simples com tomates lindos. Um jeito muito bonito de se animar quando eu fizer as compras. 

5 - Sofá de vovó. Esse canto da casa dela realmente lembra a casa da minha avó. O que gostei nesse ambiente foi a composição do sofá com o quadro e o abajur. 


 6 - Poltroninhas. Achei linda essa composição da poltrona, quadro, cesto do lado e mesinha de canto. O mais legal é como ela coloca a manta dobrada no encosto da cadeira e finaliza com uma almofada. 

7 - Porta-retratos. Fotos da família são uma das decorações mais lindas e encantadoras. Molduras simples já tornam o local especial. 


8 - Quarto. Tudo nesse quarto é harmônico, sem exageros, tem tudo o que ela precisa pra nanar bem. O abajur igual de cada lado e de base firme; os travesseiros rechonchudos e combinando; o vasinho de flores e os livros do lado da cama; a cabeceira simples; o pratinho de jóias e o porta-retrato do outro lado; a cômoda na frente da cama com uma cadeira do lado e o edredom mega confortável. Ah! E as estantes de livros pra arrematar e provar que a decoração mais legal são os livros. Isso me fez perceber que o quarto precisa de coisas resistentes, que não sejam wobbly ou frágeis, pra que você possa dormir relaxado de verdade. 


9 - Banheiro - Ela fala no vídeo que esse ambiente recebeu muitos likes no Instagram, mas me parece meio "irreal", tipo um cenário e não um banheiro de verdade que vai ficar muito úmido. Mas um detalhe que eu achei legal foi o fato de ter um único produto na banheira, uma saboneteira branca com um sabonete amarelo. A mesma ideia na pia, que tem um vaso branco e um pratinho. Uma das coisas que mais me incomoda no banheiro são as embalagens de shampoos e sabonetes que não foram feitas pra decorar, mas pra vender. Sem contar que a simplicidade é um estilo de decoração que eu acho o máximo! (Simplicidade, minimalismo não). 


10 - Sala de leitura. Livros são os melhores itens de decoração. No vídeo ela explica que aproveitou o espaço amplo e a altura do teto pra fazer um quarto de visitas e eu achei isso genial! 

Notas para minha casa atual...

1 - Um quadro acima do móvel na minha sala ficaria bem legal, tipo os consoles lindos dela. Quem sabe uma montagem com o calendário da Maude Lewis!

2 - Ao invés de colocar as bananas numa fruteira aleatória, vou colocar numa pratinho bonito que encontrei no brechó.

3 - Dobrar as mantinhas no sofá que nem ela faz nas poltronas.

4 - Encher a mantlepiece de porta-retratos.

5 - Tirar aquela cadeira esquisita de bebê do meu quarto e colocar uma cadeira (ou mesmo um banquinho) no canto do quarto.

6 - Diminuir a quantidade exagerada de produtos feios do banheiro

7 - Colocar um vasinho simples com flores na bancada do banheiro.

12.8.26

O anjo de Elias veio me visitar

Torradinhas com queijo temperadas com orégano, bolo de damasco, café com leite e moranguinhos. Uma surpresa revigorante!