25.8.26

psalms for babies

pela primeira vez cantei uma música pra Sarinha e ela abriu o sorrisão. Começo aqui minha lista de músicas que canto pra ti e pareces gostar. Começando por essa versão do Salmo 100 que minha tia Leila cantava na mocidade da igreja quando eu tinha uns cinco aninhos. É tipo uma joia de família.

Celebrai com júbilo ao Senhor
Todos os moradores da terra
Servi ao Senhor com alegria
E apresentai-vos a ele com cânticos

Sabei que o Senhor é bom
É bom demais
E eterna é a sua bondade
E a sua fidelidade
De geração a geração

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tanto tempo que eu passo quebrando a cabeça pra montar um cardápio nutritivo e gostoso aqui pra casa e a mocinha senta na mesa pedindo mingau pra almoçar. oh vida...

hoje teve arroz com carninha turbinada (junto um monte de legumes triturados no refogado) e ela amou. Especialmente depois que o Arthur misturou tudo e fez o aclamado "melexete do papai" pra ela.

As mamães perfeitas de plantão que me perdoem, mas era assim que a gente comia no Ceará, tudo bem juntinho.

24.8.26

Tempo de qualidade

Comecei a ler o livro das 5 linguagens do amor pra crianças e fui direto pro capítulo sobre "tempo de qualidade", que com certeza é a linguagem pela qual a Mimi mais se sente amada no momento. Tempo de qualidade é simples: um momento de atenção focada e individual, sem dividir com nada nem ninguém. É olhar nos olhos com carinho, é admirar; é desejar estar ali, com aquela pessoa. Mais ninguém, mais nada, em nenhum outro lugar. Que romântico! É a minha linguagem favorita.

Depois do cochilo dela fui direto me dedicar a ficar junto. Até chamei ela pra dobrar a roupa limpa comigo, porque o autor sugere no livro, mas ela se aborreceu. Ela gosta da atenção total, de saber que de verdade eu gosto de estar com ela, e deixo tudo de lado pra brincar de blocos com ela. Como eu quero que ela saiba que é amada... Se ela entendesse eu gritaria de uma montanha. Então do jeito que ela entende eu "falo", e brinco com ela.

Queria estar ali

Nesse jardim secreto que ninguém pode entrar e que consigo ver da minha janela.


23.8.26

reblog: "coisas a mais"

post de 2009 que a Ana Rute Cavaco compartilhou. republicando aqui porque vivendo num país onde o que se mais valoriza é o "poder de compra", preciso me lembrar de que coisas não deveriam ocupar tanto meu pensamento. Diferente da Ana Rute Cavaco, não acho que eu poderia ter escrito isso, mas bem que eu gostaria de ter essa sabedoria. Ah! está em português de Portugal.

"Quando eu era miúda raramente iamos almoçar fora. Tinha que ser uma ocasião especial. E como se comia bem em casa. O peixe era fresco, as ervilhas descascadas por nós, o doce de tomate feito pela minha avó, o feijão tinha que ficar de molho durante a noite, as tranças de alhos penduravam-se na despensa e a fruta era a da época, morangos no início do verão, laranjas no inverno e um melão que se guardava, suspenso para não apodrecer, de modo a estar no ponto no dia de Natal. As férias passavam-se cá dentro, durante muito tempo a fazer campismo e, depois, no apartamento da vovó Ana. Nunca fomos ao estrangeiro. Não havia férias na neve nem viagens ao Brasil. A primeira vez que andei de avião foi numa visita de estudo do liceu. Não havia centros comerciais a cada esquina nem lojas de pronto-a-vestir decentes. Mandávamos fazer roupa na costureira por altura dos aniversários e da Páscoa. As camisolas de lã eram tricotadas pelas avós. As blusas eram remendadas nos cotovelos. Cosíamos os buracos das meias. Mandávamos os sapatos ao sapateiro para pôr meias-solas e arranjar os saltos. Recebia roupa nova no Natal e herdava quase tudo da minha irmã. Herdava até os livros da escola que apagava, linha a linha, para depois poder resolver outra vez os exercícios. Não porque houvesse realmente necessidade disto mas porque havia um estilo de vida - uma ética - segundo o qual não devia haver desperdícios e se deveria poupar, reciclar, aproveitar. Gastar até ao fim. Tínhamos uma única televisão com dois canais. Um único telefone fixo. E quando surgiram os computadores lembro-me que durante muito tempo o Aníbal foi o único miúdo da terra a ter uma daquelas maravilhas (as tardes que passámos em casa dele a jogar pacman!). Vivíamos numa casa arrendada. Não tinhamos aspirador central nem música ambiente nem imaginávamos o que seria uma Bimby.

Éramos felizes? Éramos.

E sim, eu gosto do progresso e de ter televisão por cabo, eu já não sei se consigo viver sem telemóvel e não, não acho que antigamente é que era bom, nada disso, que bom que as pessoas agora têm dinheiro para gastar e podem passear e comer hamburgueres quando lhes apetece. Mas a mim parece-me que isto tudo aconteceu muito rapidamente. Sofregamente. Como se fôssemos novos-ricos. Deslumbrados com a possibilidade de poder passar um dia inteiro no Colombo e pagar tudo com cartões de crédito. De repente já não conseguimos passar sem a televisão de plasma xpto e somos [sou] alvo de chacota se ainda usamos a roupa da colecção anterior ou se não usamos as marcas que estão na moda. Desde quando é que se tornou natural comprar malas de 300 euros? Desde quando é que um i-pod é um bem essencial? A nossa vida, a vida da maioria das pessoas, pelo menos, baseia-se em coisas, coisas e mais coisas. Casas e relógios e automóveis. Coisas que se têm, que se compram, que se substituem.

Coisas a mais. E assusta-me pensar no preço que estamos e vamos pagar por isto. Em termos ambientais. Na formação das nossas crianças, habituadas a ter tudo, do bom, do melhor, agora, já. Nas crianças que trabalham na índia e noutros países para que nós possamos viver assim. Num mundo onde as pessoas são aquilo que têm - e quem tem nada é nada?"

- a Gata Christie

22.8.26

Pimenta de cheiro

Agora de manhã me veio a lembrança do aroma da Pimenta de Cheiro que meu avô usava tanto pra temperar as comidas, mais especialmente as carnes de panela que eu tanto gosto. 

Às vezes fico pensando em como construir boas memórias pras minhas filhas que talvez chegue ao exagero. 

Num dia de semana, só eu e meu avô em casa (completamente bagunçada), ele preparando o almoço pra gente sem nenhuma técnica, enquanto assistia os programas policiais com as maiores bizarrices. Comia cada um vendo tv num cômodo diferente. Bem que eu queria que a gente sentasse junto à mesa pra almoçar conversando, que a casa estivesse um pouco menos bagunçada. Mas quando me vem o cheiro e a lembrança na mente, só o que eu lembro é do meu avô indo de um lado pro outro apressado fazendo um almoço delicioso pra gente. É isso me deixa feliz

19.8.26

Miffy

 

Para aplacar dias difíceis e as pequenas dificuldades leves e momentâneas da vida, acho que vestir uma blusa da Miffy e assar um bolo com brigadeiro e confeito colorido é a melhor coisa a se fazer.