Essa semana eu terminei de ouvir ou áudiolivro do Murakami, What I Talk About When I Talk About Running (2007). Foi uma "leitura" cheia de altos e baixos, porque às vezes eu tinha aquele sentimento de surpresa alegre em ouvir os escritos de um autor que eu gosto tanto. E às vezes eu achava bem desinteressante toda a parte da corrida. Por isso eu escolhi ouvir ao invés de ler, porque eu não dou a mínima pra corrida, mas acho o Murakami sensacional. Então ao invés de ser uma leitura enfadonha, eu tinha a sensação de estar indo e voltando do trabalho conversando com um amigo que acho incrível. Mesmo sendo um livro sobre corrida, o Murakami tem uma percepção e sensibilidade pra vida que acho genial.
Me identifiquei muito quando ele disse que a corrida é um esporte que lhe cai bem porque qualquer tipo de competição o desinteressa totalmente. Tirando a parte da corrida, eu tenho a mesmíssima sensação. Talvez por ter crescido como filha única, como ele; não sei. Mas essa era uma característica minha que só agora, ouvindo o livro, pude perceber. E ele até fala isso no fim do livro, que não importa quantos anos passem, nós nunca vamos parar de descobrir coisas sobre nós mesmos.
Amei a parte em que ele conta como escreveu seu primeiro livro. Um belo dia, ele sentiu que tinha uma história pra contar, era uma vontade forte e intensa. Ele pegou papel e caneta, escreveu tudo, e enviou pra um concurso de novos autores. Ele não ficou com uma cópia, ele não se importava se a história se perderia pra sempre. Realizar esse intenso desejo de fazer a história existir era tudo o que ele queria. Uau! Assim são todas as coisas irracionais, criativas e belas, que saem do nosso coração. Curiosamente ele acabou fazendo um sucesso enorme e tornou a escrita sua profissão. E quando perguntam a ele qual a principal carcterística de um bom autor, ele sempre responde: Talento.
Concordo totalmente! Não importa quão bem instruída e educado seja uma pessoa, com pouco talento ela pode até chegar a escrever livros que vendam bem. Mas ninguém é capaz de formar uma Clarice Lispector, ou um Murakami. São raridades que não sabemos como se formam, nos tocam profundamente, e logo se vão.
Finalmente, já no epílogo ele fala algo super bonito sobre a razão de ter escrito essas memórias: através da escrita, ele gostaria de analisar que vida estava levando, descobrir seus padrões, se conhecer.
Não tem outro áudiolivro dele disponível no app da biblioteca, então vou sentir falta dele. Logo em seguida tentei ouvir One Thousand Gifts (2011), da Ann Voskamp. Mas deois de ter ouvido O Mundo de Sofia e Murakami, ouvir um livrinho sem graça desse é um suplício. O próximo será 12 Rules for Life (2018), de Jordan Peterson, que tem mais de 10 horas (!).


