Esses dias a Lana fez um post falando como ela costuma esquecer coisas triviais e eu me identifiquei muito. Além das coisas triviais, eu esqueço as experiências, por isso escrevo um diário com tanto carinho. Os anos passam, e eu recorro aos diários pra lembrar daquele drama de família que nos abalou profundamente, mas que hoje virou uma memória engraçada. Ou rememorar um período pacato e tranquilo, sem novidades, que anos depois me enchem de saudade.
Hoje, minha família disse que poderia ficar com a Mimi pra eu sair com o Arthur e eu fiquei super animada pra jantar em algum restaurante favorito que costumávamos ir no passado, mas eu não conseguia lembrar de nenhum. Por mais inútil que pareça fazer uma review de um restaurante aqui no blog, no fim das contas essa lista se torna um apanhado de lembranças de jantares especiais que eu posso ir de novo.
Antes da família chegar, eles me perguntaram o que a gente queria que eles trouxessem do Brasil. Por mais que eu sinta uma profunda saudade de coisas comuns que só tem na minha cidade natal, esse apego não é suficiente pra mantê-los na minha memória. No fim, eles não trouxeram nada porque eu não lembrei de nada. Chateada porque perdi essa oportunidade rara, fiz uma lista de sabonetes com cheirinho bom que só tem lá, comidas que comi a vida toda e não tem aqui, livros e jogos da infância... E outras quinquilharias que meu cérebro acha que não é importante lembrar, mas que meu coração é profundamente apegado.
É a minha listinha do exílio.






