23.8.26

reblog: "coisas a mais"

post de 2009 que a Ana Rute Cavaco compartilhou. republicando aqui porque vivendo num país onde o que se mais valoriza é o "poder de compra", preciso me lembrar de que coisas não deveriam ocupar tanto meu pensamento. Diferente da Ana Rute Cavaco, não acho que eu poderia ter escrito isso, mas bem que eu gostaria de ter essa sabedoria. Ah! está em português de Portugal.

"Quando eu era miúda raramente iamos almoçar fora. Tinha que ser uma ocasião especial. E como se comia bem em casa. O peixe era fresco, as ervilhas descascadas por nós, o doce de tomate feito pela minha avó, o feijão tinha que ficar de molho durante a noite, as tranças de alhos penduravam-se na despensa e a fruta era a da época, morangos no início do verão, laranjas no inverno e um melão que se guardava, suspenso para não apodrecer, de modo a estar no ponto no dia de Natal. As férias passavam-se cá dentro, durante muito tempo a fazer campismo e, depois, no apartamento da vovó Ana. Nunca fomos ao estrangeiro. Não havia férias na neve nem viagens ao Brasil. A primeira vez que andei de avião foi numa visita de estudo do liceu. Não havia centros comerciais a cada esquina nem lojas de pronto-a-vestir decentes. Mandávamos fazer roupa na costureira por altura dos aniversários e da Páscoa. As camisolas de lã eram tricotadas pelas avós. As blusas eram remendadas nos cotovelos. Cosíamos os buracos das meias. Mandávamos os sapatos ao sapateiro para pôr meias-solas e arranjar os saltos. Recebia roupa nova no Natal e herdava quase tudo da minha irmã. Herdava até os livros da escola que apagava, linha a linha, para depois poder resolver outra vez os exercícios. Não porque houvesse realmente necessidade disto mas porque havia um estilo de vida - uma ética - segundo o qual não devia haver desperdícios e se deveria poupar, reciclar, aproveitar. Gastar até ao fim. Tínhamos uma única televisão com dois canais. Um único telefone fixo. E quando surgiram os computadores lembro-me que durante muito tempo o Aníbal foi o único miúdo da terra a ter uma daquelas maravilhas (as tardes que passámos em casa dele a jogar pacman!). Vivíamos numa casa arrendada. Não tinhamos aspirador central nem música ambiente nem imaginávamos o que seria uma Bimby.

Éramos felizes? Éramos.

E sim, eu gosto do progresso e de ter televisão por cabo, eu já não sei se consigo viver sem telemóvel e não, não acho que antigamente é que era bom, nada disso, que bom que as pessoas agora têm dinheiro para gastar e podem passear e comer hamburgueres quando lhes apetece. Mas a mim parece-me que isto tudo aconteceu muito rapidamente. Sofregamente. Como se fôssemos novos-ricos. Deslumbrados com a possibilidade de poder passar um dia inteiro no Colombo e pagar tudo com cartões de crédito. De repente já não conseguimos passar sem a televisão de plasma xpto e somos [sou] alvo de chacota se ainda usamos a roupa da colecção anterior ou se não usamos as marcas que estão na moda. Desde quando é que se tornou natural comprar malas de 300 euros? Desde quando é que um i-pod é um bem essencial? A nossa vida, a vida da maioria das pessoas, pelo menos, baseia-se em coisas, coisas e mais coisas. Casas e relógios e automóveis. Coisas que se têm, que se compram, que se substituem.

Coisas a mais. E assusta-me pensar no preço que estamos e vamos pagar por isto. Em termos ambientais. Na formação das nossas crianças, habituadas a ter tudo, do bom, do melhor, agora, já. Nas crianças que trabalham na índia e noutros países para que nós possamos viver assim. Num mundo onde as pessoas são aquilo que têm - e quem tem nada é nada?"

- a Gata Christie

22.8.26

Pimenta de cheiro

Agora de manhã me veio a lembrança do aroma da Pimenta de Cheiro que meu avô usava tanto pra temperar as comidas, mais especialmente as carnes de panela que eu tanto gosto. 

Às vezes fico pensando em como construir boas memórias pras minhas filhas que talvez chegue ao exagero. 

Num dia de semana, só eu e meu avô em casa (completamente bagunçada), ele preparando o almoço pra gente sem nenhuma técnica, enquanto assistia os programas policiais com as maiores bizarrices. Comia cada um vendo tv num cômodo diferente. Bem que eu queria que a gente sentasse junto à mesa pra almoçar conversando, que a casa estivesse um pouco menos bagunçada. Mas quando me vem o cheiro e a lembrança na mente, só o que eu lembro é do meu avô indo de um lado pro outro apressado fazendo um almoço delicioso pra gente. É isso me deixa feliz

19.8.26

Miffy

 

Para aplacar dias difíceis e as pequenas dificuldades leves e momentâneas da vida, acho que vestir uma blusa da Miffy e assar um bolo com brigadeiro e confeito colorido é a melhor coisa a se fazer. 

16.8.26

Oh, mr. Sun!

Fazem dias que eu e o Arthur temos tentado melhorar nosso sono, ainda mais agora que a vida com as duas mocinhas se tornou mais exigente. Vez ou outra sofremos do mal de já acordar cansados. Num episódio recente do Diary of a CEO, uma médica explica como isso pode estar ligado a um desequilíbrio de vitamina D (Vitamin D Expert: The Supplement World Is Giving The WRONG Advice! | Dr Stasha Gominak). Vou tentar resumir as partes que achei mais interessantes.

Nosso corpo foi projetado para viver do lado de fora e estarmos expostos ao sol. Mas a partir dos anos 80 - quando foram criados o protetor solar, computadores, ar-condicionado - começamos a ficar muito mais tempo dentro de casa ou dos escritórios. E isso piorou depois do Covid, quando o home office se tornou comum. No vídeo ela explica bem as reações químicas que acontecem quando nos expomos ao sol,  produzimos vitamina D e regulamos nosso sono. Ela ainda explica como os animais que hibernam conseguem fazer isso graças a produção de vitamina D durante o verão. Resumindo muito, viver tanto tempo dentro de casa diminuiu nossa produção de vitamina D e nosso cérebro parecer ter "desaprendido" a dormir. E no vídeo o entrevistador comenta como todas as noites nosso cérebro passa por uma limpeza quando a gente dorme bem. Se não dormimos bem, é como se um monte de "porcaria" fosse acumulando. 

Como alguém que precisa cuidar da família, mas que já nasceu num mundo onde os humanos vivem em "cavernas", fiquei pensando como a gente pode ser mais intencional e sair mais de casa. De acordo com essa médica (que parece uma vovó sábia), tomar suplementos pode atrapalhar mais do que ajudar. A gente precisa sair de casa. Pegar sol (se proteger, claro), nem que seja sentando um pouquinho no alpendre. Precisamos abrir as janelas do carro (essa ideia é minha), dar a boa e velha voltinha no bairro. Ora ora, as senhoras fofoqueiras é que estavam certas. 

Ela ainda explica no final que quando ficamos do lado de fora, mesmo que na sombra, uma reação química entre os raios de sol e nossa pele acontece que faz nossas células funcionarem, rearregando nossas baterias.

Parafraseando a famosa poeta Cidy Lauper, I wanna be the one who walks in the sun

Double Zero

Infelizmente eu esqueci de novo de tirar foto do restaurante pra postar aqui, mas vou escrever assim mesmo porque foi um almoço que merece ser lembrado. Double Zero (uma referência ao tipo de farinha que os italianos usam) é um restaurante italiano que fica "escondido" na parte chic do shopping. Não tem muitas placas e a entrada é uma escadinha escura (carrinhos nem entram) e a decoração é opulenta. Imagine paredes escuras, detalhes dourados, esculturas grandes, mesas de madeira maciça... Um foto iria ser bem melhor. Anyway... 

De entrada a Miriam comeu bolacha Maria. Brincadeira (pero no mucho). A entrada foi uma salada caprese de burrata, tomates, molho pesto e shalotas crocantes. A Miriam amou e a gente também. Nossos amigos comeram calamari de entrada e eu finalmente provei esse prato. Infelizmente não é meu tipo de peixe, achei a textura estranha demais pra um sabor nada marcante.

Eu comi um spaghetti com meatballs que estava bom, mas não era sensacional. Eles nem deram pão pra comer com o molho que ficou no prato. O Arthur comeu tagliatelle à bolognesa que estava bom, tinha até uma super ricota no topo, mas era bom, só isso. Macarronada é tão gostosa quando feita em casa, mas dificilmente eu acho um restaurante que supera a que a gente mesmo prepara.

O preço foi razoável. Quero voltar lá e experimentar uma massa mais interessante e julgar o tiramissu que nem a Rosinha Maio fez no último vlog dela.

A comida não foi extraordinária, mas gostei da experiência de fingir que sou do tipo que almoça em restaurantes chiques casualmente aos domingos. 

15.8.26

Design Notes I

Tô na minha fase de fazer comentários sobre a decoração da casa dos outros. ha ha ha quem sou eu.  Começando pela casa de uma senhora inglesa chamada Emma Burns que o YouTube me recomendou; fiquei curiosa pra saber se o algoritmo sabe bem do que eu gosto.

p.s.: eu poderia ter editado as fotos e recortado as bordas pretas, mas to trabalhando em modo de economia de energia.

1 - Hall de entrada. Achei linda a decoração da cômoda com um vaso bem grande, um quadro com moldura pomposa, espelhinho na parede e um bowl chique. Tudo nessa casa é muito chique, aliás. Também gostei que a escada é azul, o que me mostra que o estilo tradicional não é feito só de cores neutras. Azul também tem sua versão neutra e é lindo! 

2 - Janelas. Mais um móvel com uma decoração linda! O quadro grande com moldura elegante, o abajur e a planta formam uma composição com uma proporção perfeita. Principalmente com o alinhamento perfeito das cortinas! A cadeira do canto cria um canto super confortável pra se estar. E as cestas na parte de baixo do móvel são um lugar bem bonito pra guardar coisas. O único lado negativo dessa decoração é que isso fica na cozinha! Ricos fazem as coisas mais malucas.

3 - Mais um console. Essa mulher parece ser expert em decorar cômodas e consoles, então faz sentido ela ter um em cada canto da casa. Amei demais esse com uma estante de livros! 

4 - Pratinho de tomates. Um prato simples com tomates lindos. Um jeito muito bonito de se animar quando eu fizer as compras. 

5 - Sofá de vovó. Esse canto da casa dela realmente lembra a casa da minha avó. O que gostei nesse ambiente foi a composição do sofá com o quadro e o abajur. 


 6 - Poltroninhas. Achei linda essa composição da poltrona, quadro, cesto do lado e mesinha de canto. O mais legal é como ela coloca a manta dobrada no encosto da cadeira e finaliza com uma almofada. 

7 - Porta-retratos. Fotos da família são uma das decorações mais lindas e encantadoras. Molduras simples já tornam o local especial. 


8 - Quarto. Tudo nesse quarto é harmônico, sem exageros, tem tudo o que ela precisa pra nanar bem. O abajur igual de cada lado e de base firme; os travesseiros rechonchudos e combinando; o vasinho de flores e os livros do lado da cama; a cabeceira simples; o pratinho de jóias e o porta-retrato do outro lado; a cômoda na frente da cama com uma cadeira do lado e o edredom mega confortável. Ah! E as estantes de livros pra arrematar e provar que a decoração mais legal são os livros. Isso me fez perceber que o quarto precisa de coisas resistentes, que não sejam wobbly ou frágeis, pra que você possa dormir relaxado de verdade. 


9 - Banheiro - Ela fala no vídeo que esse ambiente recebeu muitos likes no Instagram, mas me parece meio "irreal", tipo um cenário e não um banheiro de verdade que vai ficar muito úmido. Mas um detalhe que eu achei legal foi o fato de ter um único produto na banheira, uma saboneteira branca com um sabonete amarelo. A mesma ideia na pia, que tem um vaso branco e um pratinho. Uma das coisas que mais me incomoda no banheiro são as embalagens de shampoos e sabonetes que não foram feitas pra decorar, mas pra vender. Sem contar que a simplicidade é um estilo de decoração que eu acho o máximo! (Simplicidade, minimalismo não). 


10 - Sala de leitura. Livros são os melhores itens de decoração. No vídeo ela explica que aproveitou o espaço amplo e a altura do teto pra fazer um quarto de visitas e eu achei isso genial! 

Notas para minha casa atual...

1 - Um quadro acima do móvel na minha sala ficaria bem legal, tipo os consoles lindos dela. Quem sabe uma montagem com o calendário da Maude Lewis!

2 - Ao invés de colocar as bananas numa fruteira aleatória, vou colocar numa pratinho bonito que encontrei no brechó.

3 - Dobrar as mantinhas no sofá que nem ela faz nas poltronas.

4 - Encher a mantlepiece de porta-retratos.

5 - Tirar aquela cadeira esquisita de bebê do meu quarto e colocar uma cadeira (ou mesmo um banquinho) no canto do quarto.

6 - Diminuir a quantidade exagerada de produtos feios do banheiro

7 - Colocar um vasinho simples com flores na bancada do banheiro.

12.8.26

O anjo de Elias veio me visitar

Torradinhas com queijo temperadas com orégano, bolo de damasco, café com leite e moranguinhos. Uma surpresa revigorante!


9.8.26

Wishlist

Queria trocar a cozinha de brinquedo do Temu que temos aqui em casa por essa super cozinha chic da Janod Reverso que vi na casa da Raiza Costa. Apenas $300 de pura diversão luxuosa e linda. 

Esculturas free

Quando elas não brincarem mais, esse brinquedo vai ser montado uma "última vez" e decorar minha estante.

Memo

"Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz; porventura, não o percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo"

Isaías 43:18-19

"Lembrai-vos disto e tende ânimo; tomai-o a sério, ó prevaricadores. Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade"

Isaías 46:8-10

Uglydolls




Além dos travesseiros combinandinhos e bonitnhos no sofá, aprendi com a Bel Lobo que o que falta na minha sala é uma pelúcia meio feia. Achei chic! 

To revendo uns vídeos de tour de casas que salvei no Youtube e compartilhando aqui o que mais me chamou atenção em cada um. Na casa da Bel Lobo foi a Ugglydoll no sofá, o sofá com capa branca super aconchegante e a colcha de cama colorida. 

Só um comentário que ninguém pediu... Sempre que vejo essas casas de rico fico intrigada com a quantidade de quadros. Parece que eles compram quadros só pra preencher as paredes, ao invés de encontrar espaço nas paredes para seus quadros favoritos, suas memórias. Nessa casa por exemplo tem quadros quase no teto. Nem uma galeria de arte seria tão aleatória. Me lembra de um episódio do Decora no gnt em que o decorador colocou um quadro na parede abaixo da janela. Sim, no chão, a coisa mais esquisita.

7.8.26

Dream garden

Tenho uma playlist esquecida no meu Youtube com os vídeos de casa que eu mais gosto. Revendo essa playlist esses dias, me deparei com essa casa muito doidona de ricos excêntricos que não tem nada que me interesse, a não ser um jardim (ou quintal) lindíssimo. Acho lindo quintal com árvore fazendo sombra, a grama verdinha e agradável, as paredes de madeira, os "bancos" de plantas nas laterais e a pequena área de estar com uma mesinha simples. E o mais fofo é a visão da casa, com porta e janelinha. Sei lá, vai que um dia eu fico rica suficiente pra construir minha própria casa... Esse quintal vai ser minha inspiração. 

6.8.26

Lembretes fofos

ainda na tentativa de usar o que tenho até acabar, me deparei com uma sacola cheia de post-its que não consigo usar agora. Tenho duas mocinhas em casa que, se forem que nem eu era quando pequena, vão amar mexer nos meus cadernos e arrancar todos os adesivos e post-its. Daí lembrei de uma dica da FlyLady de colocar mensagens pra si mesma em post-its no banheiro ou no quarto. Fiz dois: um pra lembrar quando preciso lavar o cabelo (e usar os super produtos que tenho) e outro pra livrar de relaxar tomando banho de sair (e usar os sais cheirosos que estão na gaveta). No fim das contas achei uma decoração tão fofa! Tão 2012. 

Blogs e diários

Ontem eu fiz 31! Foi um dia comum, mas foi especial o sentimento de comemoração, a alegria de estar completando mais um ano e entrando nos 30-e-poucos. Se eu fosse um chip da Oi eu estaria expirando hoje. 

Lembrei que fazem 16 anos desde que criei o blog e fiquei pensando no que aprendi sobre isso nesses anos. A principal aprendizagem foi: não apague seus posts. Tudo o que eu achava ridículo há alguns anos, hoje eu vejo com a admiração de quem mudou. Os gostos do passado que eu compartilhava no blog são o reflexo da época que eu estava vivendo e que hoje sinto saudade. 

O blog é um diário prático, útil e acima de tudo divertido. A segunda aprendizagem é: escreva o que der vontade, ponha os pensamentos e as ideias pra fora. Não se importe com o público, com a qualidade dos textos, com o limite de palavras, com a formatação... Se divirta digitando, montando postagens, dividindo os parágrafos e as seções, escolhendo imagens. Por mais que algumas pessoas tenham criado blogs na expectativa de ganhar dinheiro ou notoriedade, a gente pode usar essa plataforma pra se divertir fingindo que somos editores de uma revista que só aborda o que a gente gosta, do jeito que a gente gosta. E se alguém não gostar? Essa pessoa pode fechar a página.

Antes de dormir, entrei no blog de uma senhora da minha igreja que escreve bastante sobre família. Inclusive ela já escreveu para várias revistas, sites, fez estudos em grupo, deu palestras... Mas é no blog onde ela mais gostava de escrever. Porque se divertia. Eu amei isso!!!!!!! Aqui vai um trecho dela falando sobre isso:

"Meu blog não deve ser meu diário. Diário eu também tenho. Nele posso desenvolver pensamentos enquanto escrevo e medito, e ninguém vai questionar meu raciocínio. Nele posso começar com uma atitude e terminar com outra, enquanto reflito com a Palavra de lado. Posso criticar ou questionar pessoas e situações, com detalhes e nomes. Não quero fazer isto aqui."

"Sei que ser resumido pode ser uma virtude mas como me alegro em não ter que ficar verificando se já ultrapassei “9000 caracteres sem espaço” para depois passar horas a fim tirando ou reformulando pensamentos e palavras para agradar editores exigentes nesta área. Agora poderei inserir longos parênteses, divagar, ruminar, recapitular, brincar…" 

Diários são preciosos pra gente por pra fora nossos pensamentos mais malucos e entendê-los. Blogs são pra gente se divertir falando do que a gente gosta. Agora com 31 saquei isso. Espero que tenha pelo menos mais 31 me divertindo assim!

29.7.26

Slow and steady

Eu que sou quase uma millenial, sofro do mal de ter saudade de como as coisas eram antes dos smartphones. Mas como também sou quase uma Gen Z, não lembro exatamente como vivíamos. Conversando com o Gemini (a que ponto chegamos) fiz uma lista do que posso fazer pra não esquecer como é a vida de verdade, desconectada. 

1 - Os espaços físicos definem a função. Por exemplo, o sofá é pra relaxar. A mesa do escritório é para o trabalho, e não o sofá. Ter o celular sempre à mão faz a gente trabalhar e descansar em qualquer lugar, mais especificamente nas horas inadequadas. 

2 - No quarto não entra celular. Usar um despertador analógico pode ajudar. 

3 - Deixe o celular numa estação de carregamento, ao invés de andar com ele a todo minuto.

4 - Deixe sua mente se perder durante tarefas comuns: dobrar roupas, aguar as plantas, cozinhar, fazer o café, ficar numa fila, sentar na calçada.

5 - Ao acordar, olhar pro céu antes de olhar o celular. 

6 - Use o papel para planejar e refletir. Uma lista digital é infinita, enquanto o papel tem um início e fim bem claro.

7 - Faça coisas que gosta sem telas: ler livros, ouvir música, montar puzzles, fazer algo manual. 

8 - Crie "fechamentos" no dia. Que seu celular seja apenas um telefone fora do horário comercial. Crie rotinas que representem que o dia encerrou. Limpe a cozinha, diminua as luzes, acenda a luz de um abajur e separe os itens do dia seguinte. 

9 - Troque de "feed" para "pesquisa". Ao invés de abrir o celular sem saber o que vai fazer, já tenha em mente qual vídeo que assitir, qual site acessar, qual perfil ver. Ao longo do dia, se ver um vídeo legal, salve no watch later e assista tudo em um momento dedicado pra isso. 

22.7.26

Project Pan

 ...Ou uma lista dos produtos que vou usar na força do ódio. 

Project Pan é um desafio em que você tenta usar todos os seus produtos de beleza e higiene até o final antes de comprar outro. Antes de conhecer esse projeto eu já tinha a maior satisfação de usar produtos até o fim, mas depois que vi meninas compartilhando suas experiências com o projeto eu me empolguei com o desafio. O lado negativo é óbvio: ter que usar coisas que lançam na sua cara como você gastou dinheiro à toa com coisas que não gosta. Faz pelo menos um ano que tô nesse desafio e até agora não teve um produto que me deixasse com vontade de comprar de novo. Pra ser sincera, tem um ou outro que percebi que gosto muito, mas isso fica pra outro posto. Hoje, vai a lista desses que se tornaram "persona non grata" na minha gaveta.

1 - Baby cradle cap cream, da Mustela. Descobri que a massinha na cabeça dos recém-nascidos sai com óleo de bebê. Nem precisa de um produto só pra isso. 

2 - Witch Hazel Foam, da Frida Mom. Esse é um produto que ajuda na recuperação do pós-parto, mas que eu acho que não fez diferença nenhuma. 

3 - Gillette. Bastava eu ter uma que prestasse, ao invés de 20 que não servem. 

4 - Diaper Rash cream, da Baby Butz. Devo ter no mínimo cinco outras pomadas de bebê espelhadas pela casa. 

5 - Loção hidratante e perfume de bolsa, da Mugler. É super cheiroso, meu único perfume chic. Mas é tão forte que eu nem tenho onde usar sem incomodar quem tá perto. 

6 - Cremes de mão. Ok, eu deveria usar esses com frequência. Às vezes minha mão fica ferida de tão seca. Mas sempre que vejo esses creminhos, sou lembrada que tem mais uma coisa que eu deveria estar fazendo e não tô. 

7 - Shampoo de caspa, da Nizoral. O legal desse produto é que ele funciona de verdade. A caspa foi embora antes que o shampoo acabasse. 

8 - Bio-oil. Era pra eu ter passado religiosamente na minha barriga durante a gravidez, mas eu esqueci. Agora eu uso pra hidratar o corpo e fico pura a óleo de cozinha. 

9 - Óleo de banho, da L'Occitane. Eu amo usar óleo de banho, acho a sensação e o cheiro a coisa mais luxuosa. Porém! Quem tem que limpar o banheiro que fica todo sujo de óleo sou eu. Acho que vou guardar esse óleo pra usar daqui a uns 30 anos quando eu puder pagar uma diarista. 

10 - Nipple cream, da Lansinoh. Descobri que o segredo pra recuperação durante a amamentação é só um: o tempo.

11 - Removedor de maquiagem, da Neutrogena. Amigos, eu não uso maquiagem. 

Além desses, tem perfumes, sabonetes a mil, sais de banho, hidratantes labiais... Um monte de coisa que eu só vou usar se eu me dedicar a isso especificamente. A gente compra esses produtos pela animação que a gente sente de passar o cartão, sair com uma sacolinha, pela esperança de uma pele e cabelos lindos. Mas depois venho com o próximo post com os favoritos. 

p.s.: outro post em que reclamo da mesmíssima coisa: uma rotina mais simples

Canarinho

Alguém aqui de casa tem que ir de Brasil essa sexta pra creche. Eu nunca me interessei tanto por futebol...

21.7.26

Maninha

Tava vendo uma lista que fiz com meus álbuns favoritos da vida e o primeiro deles era a coletânea Millenium, da Maria Bethânia. Minha mãe tinha esse cd e por um tempo, sempre que eu botava pra tocar ficava meio incomodada com o trompete no início da primeira música.

Até que minha tia um dia me falou como gostava desse CD, falou das suas músicas favoritas, ouviu comigo... "Terezinha" era a música favorita dela, e eu fiquei chocada de finalmente entender o significado daquela cantiga infantil. Eu fiquei encantada e fascinada pela Maria Bethânia desde então. E pelo Chico Buarque. Um dos meus passa tempos lá pelos quinze anos era ouvir esse cd. Que legal relembrar dele hoje. 

Acho a seleção de músicas fantástica, realmente são as melhores músicas dela, só falta "Baby". A Bethânia tem uma palavra que a define: intensa. Intensa, intensa demais. São músicas pra ouvir de manhã, no sol, "descortinar a madrugada". Parece que tô falando maluquice, mas ouve o cd e você vai me entender. Espero lembrar de por pra tocar no próximo inverno e ter um dia de sol no meio da neve. 

Mas a minha música favorita é mais suave, Maninha. A voz do Caetano, as notas que parecem estrelas brilhando, parece música infantil, tem uma magia sem igual. E uma letra que descreve o sentimento de saudade como nenhuma outra. Até que a Bethânia começa a cantar. A saudade mansa de torna um sentimento intenso que não cabe no peito. Ela me lembra muito uma professora que eu tive que faleceu há alguns anos, e essa música transmite exatamente essa saudade mágica e indignada que eu sinto. Que mundo lindo, que mundo terrível. 

Queria ter esse vinil na minha estante, além de tê-lo no meu coração. 

p.s: acho impressionante como o português soa limpo, rico e lindo na voz dela.

17.7.26

Valley of the dolls no meu armário

Se tem uma coisa que eu acho satisfatório é usar uma caneta até o final. E se tem uma coisa que me enche o saco é ter um monte de vitaminas no armário que parecem nunca ter fim. Toda vez que abro o armário minha caixinha de vitaminas me lembra da minha indisciplina pra tomá-las todos os dias.

Acho que único jeito satisfatório de tomar vitaminas é que nem a personagem da Joana Cusack em Toys.

15.7.26

Banfa! (com sotaque italiano)

Antes de me mudar eu nunca tinha ouvido falar dessa cidade, Banff, que fica nas montanhas rochosas. Eu queria muito escrever um post a coisa mais linda sobre a manhã que passamos lá hoje, mas eu sei que no meu tempo livre eu vou preferir assistir Sex and the City no meu celular. Então vou resumir. 

A ideia de sair de casa às 6:00 e tomar café no carro foi ótima, porque a viagem de 1:30h passou rápido.

Banff às 8:00 da manhã de uma quarta em julho é tranquila, vazia e linda. Por um momento eu me senti feliz de estar ali, normalmente eu sinto vontade de fugir daquela rua lotada de turistas. E pela primeira vez eu vi as lojas de portas fechadas. Acredite, é algo a se admirar. As pesadas portas de madeira me lembram o Hobbit, a Inglaterra, sei lá. São lindas.

O Quary Lake estava bem bonito, mas cheio demais. O que não era tão mal, já que tinha várias crianças tomando banho e se divertindo, a coisa mais fofa. Tinha até uma família de coreanos tão perfeita que eu pensei que se alguém gravasse o jeito doce com que o pai falava com os filhos daria um dorama de sucesso. Ah! E estava quente, muito quente. Coitada da Sarinha, que chegou toda coberta. 

Almoçamos na nossa pizzaria favorita de Canmore, que segue sendo a número 1.

Na volta a gente estava feliz de olhar pro relógio e ver que ainda eram duas da tarde. Foi a primeira vez que a gente não voltou pra casa nove da noite e destruídos de cansaço. E foi a primeira vez que voltamos pela Old Banff Coach Road, que tem mansões inacreditáveis de lindas. 

p.s: Saindo de Banff, vi que tinha uma biblioteca pública na cidade e estou aqui sonhando quando minhas filhas forem um pouco maiores e eu puder levá-las lá num casual dia de inverno. Oh dreams! 

p.s.s: Achei esse post super fofo sobre a biblioteca de Banff. Esse blog tem o tipo de texto e foto que eu queria publicar no meu blog! Tenho uma queda por fotos com filtro vintage.